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Tether diz ter cerca de 150 mil bitcoins, avaliados em mais de US$ 11,5 bilhões

Segundo o CEO Paolo Ardoino, a emissora do USDT ampliou sua reserva de bitcoin, que no início de 2026 estava entre 96 mil e 100 mil BTC. As compras saem de parte do lucro da empresa.

Arte: Kripto Pay

A Tether, empresa responsável pelo USDT, a stablecoin mais usada do mundo, tem hoje cerca de 150 mil bitcoins, segundo seu CEO, Paolo Ardoino. De acordo com o executivo, essa reserva vale mais de US$ 11,5 bilhões. A informação foi dada durante uma palestra de Ardoino no Plan ₿ Forum, evento realizado em Lugano, em 3 de novembro de 2026, conforme relato do site Crypto Briefing.

Para quem está começando: stablecoin é uma criptomoeda criada para manter um valor estável, normalmente atrelado a uma moeda tradicional. No caso do USDT, a referência é o dólar americano, e a ideia é que cada token valha US$ 1. Para sustentar essa paridade, a emissora precisa manter reservas em ativos que cubram os tokens em circulação.

De cerca de 100 mil para 150 mil bitcoins

Segundo o Crypto Briefing, divulgações anteriores da própria Tether ao longo de 2026 indicavam que a empresa tinha entre 96 mil e 100 mil BTC. Chegar a aproximadamente 150 mil significa ter adicionado dezenas de milhares de moedas em um único ano.

Os valores em dólar apontam na mesma direção. O atestado do terceiro trimestre, documento que a empresa divulga para mostrar a composição de suas reservas em uma data específica, avaliou os bitcoins da Tether em US$ 8,37 bilhões em 30 de setembro. No fim do segundo trimestre de 2026, a estimativa era de US$ 5,8 bilhões.

As compras começaram em maio de 2023, quando a Tether adotou a política de destinar até 15% do lucro líquido de cada trimestre à aquisição de bitcoin. Algumas operações chamaram atenção pelo tamanho: em 31 de dezembro de 2025, a empresa comprou 8.888 BTC, um lote avaliado em cerca de US$ 780 milhões na época.

O restante das reservas

O bitcoin é apenas uma parte do patrimônio da Tether. A maior fatia do que dá lastro ao USDT está em títulos da dívida do governo dos Estados Unidos. Pelo atestado do terceiro trimestre de 2026, a empresa tem aproximadamente US$ 132,4 bilhões em títulos do Tesouro americano, valor que inclui operações compromissadas, acordos em que um título é comprado com o compromisso de ser revendido depois.

O mesmo documento mostra reservas excedentes de US$ 7,95 bilhões, quase o dobro do registrado no segundo trimestre. Esse excedente funciona como uma folga: é o quanto a empresa mantém além do necessário para cobrir todos os tokens em circulação.

A Tether afirma ter mais de 730 milhões de usuários no mundo, com cerca de 30 milhões de novas carteiras (os endereços digitais onde se guardam criptoativos) a cada trimestre. A empresa é de capital fechado: Giancarlo Devasini detém cerca de 45% e Ardoino, cerca de 20%.

Por que isso chama atenção

Uma emissora de stablecoin com uma grande posição em um ativo volátil naturalmente desperta questionamentos. O preço do bitcoin pode subir ou cair com força, e o valor da reserva da Tether acompanha esses movimentos.

Na análise do Crypto Briefing, o desenho do programa limita parte desse risco. Como as compras saem do lucro, e não das reservas que garantem o USDT, uma queda do bitcoin atingiria o colchão de ganhos da empresa, e não os dólares que sustentam cada token, ao menos de acordo com a política como foi descrita. O veículo também aponta as reservas excedentes como uma camada adicional de proteção antes que a paridade com o dólar fique ameaçada.

O site observa ainda que a Tether ocupa uma posição incomum: é peça central da infraestrutura de negociação do mercado cripto e, ao mesmo tempo, uma das maiores detentoras corporativas de bitcoin. Para o veículo, o salto nas compras sugere que o programa acelerou em 2026, em vez de desacelerar.

O que isso muda para você

A notícia não altera, por si só, o funcionamento do USDT. Mas ajuda a entender o que existe por trás de uma stablecoin, algo importante para quem usa ou pensa em usar esse tipo de moeda no Brasil. Alguns pontos gerais:

  • Stablecoin não é bitcoin. O USDT busca acompanhar o dólar; o bitcoin tem preço que oscila livremente. O fato de a Tether ter bitcoin no balanço não transforma o USDT em um ativo que sobe ou cai junto com ele.
  • A estabilidade depende das reservas. O valor de uma stablecoin se apoia na capacidade da emissora de cobrir os tokens em circulação. Por isso, vale acompanhar os relatórios que as empresas publicam.
  • Atestados são um retrato de uma data. Os números citados se referem a momentos específicos, como 30 de setembro, e podem mudar depois.
  • Os dados são da própria empresa. A quantidade de bitcoins e o número de usuários foram informados pela Tether e por seu CEO.

Antes de usar qualquer criptoativo, inclusive stablecoins, procure entender quem emite o token, como ele é lastreado e quais riscos estão envolvidos, e prefira plataformas que você conheça bem.

Fonte: Crypto Briefing — https://cryptobriefing.com/tether-ceo-150000-bitcoin-holdings/

Quem escreveuRedação Kripto PayNotícias e explicações sobre cripto, stablecoins e pagamentos, revisadas pela equipe da Kripto Pay antes de publicar.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento. Criptomoedas oscilam e podem perder valor; decida com calma e só com o que você pode arriscar.

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