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Ethena permite que equipe de trading aprove tomadores de empréstimos com ativos que lastreiam o USDe

Novas regras publicadas em 29 de outubro dispensam votação individual do Comitê de Risco para tomadores que cumpram critérios definidos. Segundo o CryptoSlate, os saldos atuais dos empréstimos ainda não podem ser verificados.

Arte: Kripto Pay

A Ethena, empresa responsável pelo USDe, publicou em 29 de outubro novas regras para empréstimos institucionais feitos com parte dos ativos que dão lastro a esse "dólar sintético". Segundo reportagem do CryptoSlate, o documento abre caminho para que a equipe de trading da Ethena aprove novos tomadores, desde que cumpram critérios pré-definidos, sem que cada caso passe por uma votação individual do Comitê de Risco.

Para quem está começando: uma stablecoin é uma criptomoeda que busca manter valor estável, geralmente atrelado ao dólar. O USDe é descrito como um dólar sintético, ou seja, seu valor depende de um conjunto de ativos e operações que formam o lastro. Parte desse lastro é emprestada a instituições, e é aí que entra o risco de crédito: a possibilidade de um tomador não devolver o que pegou emprestado.

O que mudou na aprovação de tomadores

De acordo com o CryptoSlate, as regras foram divulgadas pela Kairos Research e descrevem a nova rota delegada, mas não identificam nenhum tomador recém-financiado por meio dela. O Comitê de Risco continua com papel de supervisão. Os critérios de elegibilidade incluem:

  • empréstimo bilateral, com direito de cobrança integral contra o tomador ou garantia de uma empresa controladora;
  • verificação de jurisdição e da situação legal do tomador, além de checagem de sanções;
  • custódia segregada em modelo tripartite, em que a garantia fica com um terceiro;
  • relatórios diários e verificáveis sobre as garantias.

Os documentos do tomador são enviados de forma privada ao comitê pelo menos três dias úteis antes do primeiro desembolso. Um membro que queira levar o caso a votação precisa apontar qual critério não foi cumprido, e a decisão deve sair em até cinco dias úteis. Segundo o veículo, o texto não esclarece se o dinheiro pode ser liberado enquanto uma objeção está pendente. Casos fora dos critérios continuam exigindo análise do comitê.

Regras de garantia e limites

A equipe de empréstimos define tabelas de LTV (loan-to-value), indicador que compara o valor emprestado com o valor da garantia, e as compartilha mensalmente com o comitê. Se um tomador deixar de atender a uma chamada de margem (pedido de reforço da garantia), entrar em calote ou tiver sua situação alterada, novos empréstimos a ele são suspensos e o caso é escalado em até 48 horas.

Entre as garantias aceitas estão bitcoin (BTC), ether (ETH) e outros ativos especificados. Ficam de fora USDe, sUSDe, ENA, USDtb e ativos emitidos pelo próprio tomador. O XAUT na rede Ethereum só é aceito sob condições de custódia, locais de liquidação e um teste de liquidação em fim de semana. As regras mantêm cinco aprovações já existentes e, segundo o CryptoSlate, não publicam um teto numérico para o total emprestado nem para a concentração por tomador.

O veículo lembra que, antes, cada parceiro precisava de proposta própria ao comitê, como na proposta de 10 de março envolvendo Maple e Anchorage. A reportagem destaca que a marca do parceiro não basta para entender quem responde pelo contrato: o acordo da Anchorage foi feito com a A1, Ltd., entidade nas Ilhas Cayman distinta do banco Anchorage Digital Bank, e o da Maple passou por uma empresa de Delaware.

Números ainda difíceis de verificar

Uma avaliação da LlamaRisk de 12 de outubro atribuiu 14,3% do lastro a empréstimos institucionais, sobre um lastro total reportado de cerca de US$ 5 bilhões. Já a atualização da Blockworks Advisory, publicada em 13 de outubro, indicou 8% do caixa líquido em 30 de setembro. O CryptoSlate alerta que os números usam datas e bases diferentes e não devem ser lidos como um aumento. Além disso, na captura do painel de empréstimos da Ethena feita em 1º de novembro, as linhas de tomadores e o horário de atualização estavam vazios.

O que isso muda para você

Para quem tem ou pensa em usar USDe no Brasil, a notícia mostra que uma stablecoin não é necessariamente igual a dólar guardado em banco. Parte do lastro pode estar emprestada, e a segurança depende de quem pega o dinheiro, das garantias e das regras de controle. Antes de usar qualquer stablecoin, vale procurar informações sobre a composição do lastro, a data dos dados divulgados, os limites de exposição e quem assina os contratos. A ausência de números atualizados é um ponto de atenção, não uma garantia de problema, mas dificulta a avaliação do risco.

Fonte: CryptoSlate — https://cryptoslate.com/ethenas-trading-team-can-approve-borrowers-of-assets-backing-usde-under-new-rules/

Quem escreveuRedação Kripto PayNotícias e explicações sobre cripto, stablecoins e pagamentos, revisadas pela equipe da Kripto Pay antes de publicar.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento. Criptomoedas oscilam e podem perder valor; decida com calma e só com o que você pode arriscar.

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