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Solana completa 1.000 dias sem interrupção da rede, enquanto volume e número de usuários crescem

Segundo o Crypto Briefing, a blockchain não para desde fevereiro de 2024. No período, o volume em corretoras descentralizadas e o total de transações dobraram, mas um relatório da Fidelity aponta riscos de concentração.

Solana completa 1.000
Solana completa 1.000 · Arte: Kripto Pay

A Solana, uma das blockchains mais usadas para negociação de tokens e aplicativos de cripto, chegou a 1.000 dias seguidos sem uma parada completa da rede. A informação é do site especializado Crypto Briefing, que aponta que a marca foi atingida por volta de 2 de novembro de 2026. A última paralisação total aconteceu em 6 de fevereiro de 2024.

A medição considera o funcionamento do chamado cluster, que é o conjunto completo de validadores que mantêm a rede em operação. Validadores são computadores que processam as transações e confirmam os novos blocos de registros. Ou seja, o número se refere à rede como um todo, e não a uma máquina específica. De acordo com o Crypto Briefing, a página oficial de status da Solana registrou 100% de disponibilidade nos meses que antecederam a marca.

A estabilidade veio em um período de uso maior. Segundo a reportagem, o volume médio mensal negociado em DEXs na Solana dobrou em relação a fevereiro de 2024. DEXs são corretoras descentralizadas, em que as trocas entre tokens acontecem diretamente na blockchain, sem uma empresa intermediando. O total de transações processadas também dobrou no mesmo intervalo, e o número de traders ativos ficou seis vezes maior do que antes da parada de 2024.

O que aconteceu em 2024 e o que mudou

A interrupção de fevereiro de 2024 foi causada por uma falha no software dos validadores. O código entrou em um ciclo infinito, repetindo o mesmo trabalho sem avançar, e a rede ficou parada por cerca de cinco horas.

Desde então, algumas mudanças foram apontadas como responsáveis por deixar a rede mais resistente. Segundo o Crypto Briefing, as principais são:

  • Firedancer: um segundo cliente de validador, desenvolvido de forma independente pela Jump Crypto. O cliente é o programa que os validadores rodam. Quando todos usam o mesmo software, um único erro pode derrubar a rede inteira, que foi mais ou menos o que ocorreu em 2024. Com dois programas escritos separadamente, se um falhar, os validadores que usam o outro podem continuar funcionando.
  • Proteção contra spam e congestionamento: a rede adotou protocolos aprimorados para lidar com excesso de transações.
  • Mercado de taxas de prioridade: o usuário pode pagar uma taxa extra para que sua transação seja processada antes, o que ajuda a rede a separar o tráfego urgente do restante.

Os desenvolvedores também seguiram trabalhando na velocidade. Em 21 de agosto de 2026, o tempo de cada slot, a janela de tempo em que um bloco é produzido, caiu para 350 milissegundos. Há planos de reduzir esse tempo para perto de 200 milissegundos.

Nem tudo foi perfeito

A sequência sem paradas não significa ausência de problemas. Em agosto de 2026, uma falha de roteamento na infraestrutura afetou temporariamente 29% do stake, que é a quantidade de tokens travados pelos validadores para participar da validação. Mesmo assim, a produção de blocos continuou.

Um relatório do Fidelity Center for Applied Technology, citado pelo Crypto Briefing, encontrou taxas de sucesso de votação dos validadores próximas de 99,7% ao longo de 2026, o que reforça o quadro de estabilidade. O mesmo estudo, porém, levantou preocupações com a forma como o stake está distribuído entre os validadores e com a pouca diversidade de provedores que hospedam essas máquinas.

Na análise do Crypto Briefing, o episódio de agosto mostra onde está o risco hoje: se um único problema de infraestrutura atinge quase um terço do stake, a saúde da rede depende muito de poucos serviços de hospedagem. O site também avalia que blocos mais rápidos são atraentes para negociação, mas reduzem a margem que os validadores têm para se manter sincronizados.

O que isso muda para você

Para quem usa carteiras, aplicativos ou corretoras descentralizadas na Solana, uma rede que não para significa menos chance de ficar sem conseguir movimentar seus tokens em um momento importante. Ainda assim, alguns pontos merecem atenção:

  • Disponibilidade não é garantia de segurança: a rede funcionar sem parar não diz nada sobre a confiabilidade de cada token ou aplicativo construído sobre ela. Cada projeto tem seus próprios riscos.
  • Concentração é um risco real: como aponta o relatório da Fidelity, uma rede pode ter ótimos números de funcionamento e, ao mesmo tempo, depender de poucos provedores de infraestrutura.
  • Taxas de prioridade: em momentos de muito movimento, sua carteira pode sugerir pagar um valor extra para acelerar a transação. Confira o custo antes de confirmar.
  • Acompanhe fontes oficiais: a Solana mantém uma página de status, útil para saber se uma lentidão é da rede ou do aplicativo que você usa.

Estabilidade técnica e crescimento de uso também não determinam o preço do token SOL. Qualquer decisão envolvendo criptoativos deve levar em conta a volatilidade e o seu próprio perfil de risco.

Fonte: Crypto Briefing — https://cryptobriefing.com/solana-1000-days-without-network-halt/

Quem escreveuRedação Kripto PayNotícias e explicações sobre cripto, stablecoins e pagamentos, revisadas pela equipe da Kripto Pay antes de publicar.

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