O Grupo de Ação Financeira Internacional (FATF, na sigla em inglês, conhecido em português como Gafi), entidade global que define padrões de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, decidiu olhar mais de perto para os países onde o mercado de criptomoedas é mais movimentado. De acordo com o site Crypto Briefing, o organismo iniciou uma revisão direcionada às jurisdições com atividade relevante em ativos virtuais. O objetivo é reduzir a distância entre as regras que o Gafi já estabeleceu e o que os governos de fato fazem para aplicá-las.
O que foi decidido em Paris
Segundo a reportagem, a revisão foi aprovada na reunião plenária do Gafi realizada entre 28 e 30 de outubro de 2026, em Paris. Foi o primeiro encontro desse tipo sob a presidência do Reino Unido.
O foco está nos países com grande presença de prestadores de serviços de ativos virtuais, chamados de VASPs. O termo engloba as empresas que lidam com as criptomoedas dos clientes, como corretoras (exchanges), custodiantes (empresas que guardam os ativos em nome de terceiros) e outros intermediários parecidos.
A ideia é acelerar a adoção dos padrões previstos na Recomendação 15 do Gafi, a parte do conjunto de regras da entidade que trata de novas tecnologias, incluindo os ativos virtuais. O cronograma divulgado prevê:
- primeiras conclusões em junho de 2027;
- novos resultados em outubro de 2027.
O Gafi não informou quais países serão analisados. Conforme o Crypto Briefing, a entidade afirma que usará critérios objetivos ligados à situação de avaliação de cada jurisdição e que vai se concentrar nos principais polos do setor, que juntos respondem por aproximadamente 97% do mercado global de ativos virtuais. Além de avaliar, o organismo diz que pretende oferecer assistência técnica para ajudar esses países a reforçar suas estruturas de fiscalização e sua capacidade de cumprir as normas.
Como está o cumprimento das regras até agora
Os números citados pela reportagem mostram que ainda há muito a ser feito. Até abril de 2026, o Gafi havia avaliado 149 jurisdições quanto aos padrões para VASPs. Dessas, 33 foram consideradas não conformes e 64 receberam a classificação de parcialmente conformes.
Há avanços no plano legal. Uma atualização do Gafi publicada em julho de 2026 apontou que 83% das jurisdições pesquisadas já tinham aprovado leis sobre a chamada Travel Rule ("regra de viagem"). Essa regra exige que as empresas de cripto repassem informações sobre quem envia e quem recebe uma transferência, de forma semelhante ao que os bancos já fazem em transferências internacionais. Assim, o dinheiro não circula de forma anônima entre plataformas reguladas.
No entanto, o mesmo relatório identificou falhas importantes na supervisão baseada em risco (quando o regulador concentra a fiscalização nas atividades mais perigosas) e na exigência de licenças para que essas empresas operem. O Gafi também chamou atenção para ameaças crescentes, como fraudes em escala industrial ligadas a criptoativos e o uso indevido de stablecoins, moedas digitais atreladas a um ativo de referência, geralmente o dólar. Segundo as conclusões da entidade, redes criminosas vêm explorando cada vez mais brechas regulatórias, principalmente em países com fiscalização frouxa.
A lista cinza e o poder de pressão do Gafi
O Gafi não cria leis para nenhum país. Sua influência vem da pressão entre os membros e das listas que publica. A mais importante é a lista cinza, oficialmente chamada de lista de jurisdições sob monitoramento reforçado. Os países incluídos nela se comprometem a corrigir deficiências graves em seus sistemas de combate à lavagem de dinheiro, sob acompanhamento mais próximo da entidade.
Na plenária de outubro de 2026, quatro países saíram dessa lista: Bulgária, Costa do Marfim, República Democrática do Congo e Mônaco. Com isso, restaram 18 jurisdições sob monitoramento reforçado, segundo o Crypto Briefing.
O que isso muda para você
No curto prazo, nada muda diretamente na forma como você compra, vende ou guarda criptomoedas. A revisão é um processo entre o Gafi e os governos, e os resultados só começam a sair em 2027. Mesmo assim, ela indica a direção do setor no mundo: mais cobrança para que as empresas de cripto sejam licenciadas, fiscalizadas e identifiquem seus clientes.
Na prática, regras como a Travel Rule explicam por que corretoras pedem documentos, comprovantes e, em alguns casos, dados sobre o destino de uma transferência. Isso faz parte do esforço internacional para dificultar que criminosos usem o setor.
Alguns cuidados gerais:
- verifique se a plataforma que você usa segue as regras do país onde atua;
- desconfie de promessas de ganhos fáceis, já que o próprio Gafi aponta o avanço de fraudes ligadas a criptoativos;
- trate stablecoins como qualquer outro criptoativo: confira em qual rede está enviando e quem está do outro lado.
Fonte: Crypto Briefing — https://cryptobriefing.com/fatf-targets-crypto-hubs-aml-review/
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento. Criptomoedas oscilam e podem perder valor; decida com calma e só com o que você pode arriscar.
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